Balanço Patrimonial

CONCEITOS

O Balanço Patrimonial é um dos relatórios (tecnicamente chamados de demonstrações contábeis) que a contabilidade apresenta para que a liderança saiba como estão as contas da instituição. A idéia de “balanço” vem justamente por que este relatório é dividido em duas partes: ativos e passivos. E aqui cabe a primeira decisão deste post: encerrar as piadas sobre gays aqui ou continuar com elas até o final do texto.

O ponto é que os valores das duas partes do balanço devem ser os mesmos, sempre que ele for analisado. Por isto: balanço. Os nomes de passivo e ativo (não ri), deve-se ao fato que o ativo contém o que a empresa tem por receber (e que já trabalhou por isto) e no passivo, aquilo que é saldo de obrigações devidas (ou seja, que os outros fizeram e cabe a empresa pagar por).

A contabilidade de uma empresa divide todas as entradas e saídas de dinheiro em contas específicas, que são chamadas de contas contábeis. Estas contas servem pra organizar melhor o balanço patrimonial.

BALANÇO PATRIMONIAL

Pra gente começar a entender, cabe citar o texto de lei que organiza o balanço patrimonial:

Nesta demonstração contábil, as contas são classificadas segundo os elementos do patrimônio que registram e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a ánalise da situação financeira da companhia.

Que? Pois é, ninguem nunca entende da primeira vez. Mas na verdade até que é bem simples: tu pega todas as contas contábeis da organização, ok? Aí tu organiza ela em alguns grupos:

Ativo: são os bens e direitos da organização. Sao divididos em ativo circulante, ativo exigível a longo prazo e ativo permanente. O circulante são direitos que a empresa irá receber no curto prazo (menos de um ano). O exigível a longo prazo, coisas que a empresa receberá daqui a mais de um ano (tipo precatórias do governo). E o permanente são os bens da empresa, tipo cadeiras, carros, prédios e tal. O permanente pode ser divido em investimentos, imobilizados e diferidos. Não cabe a este post explicar cada um deles. O ativo permanente também tem um negócio legal que é a depreciação e amortização, que pode fazer com que tu pague menos imposto de renda sobre o lucro da empresa. SAMBARILOVI. Ativos intangíveis (tipo o registro da tua idéia genial no escritório de patentes) figora no balanço patrimonial como ativo permanente, ok?

Passivo: já complica um pouco. Ele é dividido primeiro entre passivo exigível e passivo não exigível. O passívo exigível divide-se em passivo circulante, que são as obrigações da organização pra daqui a menos de um ano, o passivo exigível a longo prazo (PELP), que é praquelas obrigações pra daqui a mais de um ano e o resultado de exercícios futuros, que é grana que tu recebeu por coisa que tu ainda não entregou. O passivo não exigível é também chamado de patrimônio líquido e é composto pelo teu lucro, mais o capital social da empresa.

APLICAÇÃO

Legal, mas como isso fica na prática? Bom, tu podes pegar aqueles exemplos que saem nos jornais. São balanços que as SA precisam apresentar pra que os acionistas possam ver como a empresa vai indo. Pra quem quer um exemplo mais simples, segue aqui em baixo um:

exemplo BP

Ficou claro? Espero que sim. Qualquer coisa, manda um e-mail que eu tento ajudar.

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Cenários, futuro e the long now foundation – Peter Schwartz

CONCEITOS

Peter SchwartzPrever o futuro é uma das partes fundamentais da definição estratégica de uma organização, uma vez que antecipar a mudança proporciona vantagem competitiva. Estas estratégias devem ser baseadas em fatos, não dependendo do achismo do líder ou guru da organização. Mas por tudo que há de sagrado: como prefer o futuro baseado em fatos?

Peter Schwartz faz isso por profissão. Seu trabalho é dedicado ao desenvolvimento de metodologias para análise de tendências. A partir do material desenvolvido por este cara, é possível traçar cenários futuros com uma boa probabilidade de acerto, naquilo que é possível, e saber com certeza o que não há como se ter uma previsão com um mínimo de certeza, nem por nossa organização, nem pela concorrência.

CENÁRIOS, FUTURO E THE LONG NOW FOUNDATION

Na real, existem várias metodologias pra se fazer análise de cenários. Eu mesmo já falei sobre outra aqui, do Michel Godet. O ponto é que eu tive acesso ao que esse cara escreveu na pós em gestão de projetos que eu tou fazendo na ESPM e de verdade fiquei APAVORADO com o jeito que ele amarra a futurologia com a definição do plano estratégico da organização. Além disso, essa The Long Now foundation é muito legal! Mas vamos por partes:

  • Peter Schwartz: nasceu em 1945, na Hungria, de pais que passaram por campos de concentração. É graduado em engenharia aeronáutica e astronáutica e foi no instituto de pesquisa de Stanford que ele começou a desenvolver essa metodologia para análise de cenários. Em 1982, começou a trabalhar na análise de cenários para a Shell, onde teve oportunidade de testar todas as idéias malucas que ele já teve. Hoje, é palestrante convidado constante no Fórum Econômico Mundial, escreve livros, dirige uma empresa de análise de cenários e faz parte da diretoria da Long Now Foundation, organização que prega o pensamento a longo prazo, ao invés do imediatismo que domina o mundo.

Principais trabalhos

  • A arte da visão a longo prazo: O livro fala que o futuro é baseado em várias hipóteses (claro), e que cabe a organização se planejar levando em conta o que sabe de cada um deles. É sugerido que se leve em conta 3 cenários, de acordo com a agressividade que a organização deve exercer para atingir seus objetivos. O objetivo não é apostar numa hipótese, mas tomar decisões adaptáveis e eficientes em todas as possibilidades. Além disto, o livro bate muito na tecla de que as organizações devem ter uma cultura de permanente reflexão e aprendizado.
  • Surpresas Inevitáveis: neste livro, o Peter Schwartz coloca, em dados claros e “inquestionáveis”, as possibilidades pras grandes mudanças que o mundo irá sofrer nos próximos anos, assim como mostra o que é possível se fazer para previnir que TUDO vá por água a baixo. O livro fecha com três cenários possíveis para o mundo nos próximos anos, discutindo as implicações de cada um. Em suma, ele dá a morta.
  • The long now foundation: esta fundação é a coisa mais legal que eu já vi na internet. Ok, forcei, nada é mais legal que o ORKUT. Ok, forcei de novo: FACEBOOK. Ok, parei. LAST.FM. Tá. Na real, já que entramos nesse assunto, este vídeo é a coisa mais legal da internet. E este site. Mas a the long now foundation não perde de longe! A idéia do site é promover o pensamento a longo prazo, e pra isso os caras tem várias ações. A que eu achei mais legal é um sistema de apostas, no qual formadores de opinião, tipo Brian Eno (e nós zé ruela também), podem apostar sobre o que vai acontecer no futuro do mundo. Coisas tipo:

“By 2060 the total population of humans on earth will be less than it is today.”

Uma delas já foi concluida: um cara apostou que quem procurar no google as histórias mais top de 2007 vai encontrar mais em blogs do que em sites tipo nytimes.com Outro cara, um pateta, disse que não. Adivinha quem ganhou? Dave Winer, CEO da userland.com papou U$ 2000,00 nessa. Eu já sabia a resposta.

  • Global Business Network: Esta é a empresa do Peter Scwartz. Não é bem dele, mas ele é um dos fundadores e manda-chuva. Eles tem três produtos

1. deeply researched scenarios: baseado em ferramentas colaborativas, a empresa desenvolve pesquisa sem cenários de interesse da empresa, com base em cinco variáveis: social, tecnológica, economica, ambiental e política.
2. scenario frameworks: comparativos entre tendências que as vezes são conflitantes, para a rápida análise e tomada de decisões.
3. scenario conversations: identificação das incertezas chave e das verdades inevitáveis relacionadas com a empresa.

Além disto, a empresa também dá cursos e prepara líderes para a análise de cenários futuros.

APLICAÇÃO

A leitura dos livros é fundamental para o desenvolvimento de um pensamento a longo prazo. Já o trabalho de definição de cenários e extritamente técnico e envolve uma soma de variáveis que impossibilita a realização do trabalho internamente, pela organização. O caminho, ao que parece, é a contratação de empresas especializadas no assunto. Porém, antes disso, é necessário que a organização conheça bem seu negócio, a indústria em que está inserida, e saiba razoavelmente quais são os seus fatores chave de sucesso, para que se possa saber quais devem ser os cenários a ser traçados.