Atribuições do Conselho em Organizações Não Governamentais

CONCEITOS

Organizações não governamentais, por estrutura formal, precisam compor um conselho com atribuições pré definidas, que respondem formalmente e legalmente pela instituição. Esta definição do conselho precisa cumprir alguns regramentos específicos para qualificar a organização a captar recursos futuros, inclusive através do título de OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.

Este post não avaliará todas as responsabilidades e particularidades de um conselho, assunto extenso demais para um tópico. Futuramente, estruturas formais, estatuto, políticas de conflitos de interesses e planejamento serão abordados. Aqui, especificamente, vou abrir as principais responsabilidades de um conselho, para a correta operação da ONG.

ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO EM ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS

A formação de um conselho para gerir uma organização não governamental passa por um rol de discussões, com o propósito de encontrar pessoas alinhadas com a causa, que tenham tempo e disponibilidade financeira e que, sobretudo, apresentem o perfil necessário para tomar decisões relevantes sobre o futuro da organização. Este mix de características não é fácil de ser encontrado, mas é fator chave para o sucesso da organização.

Para melhor entendermos o por que este set de skills é tão relevante, vamos avaliar um pouco das atribuições do conselho. Geralmente, o conselho compreende seis responsabilidades:

  • determinar a missão organizacional e as políticas operacionais, levando em conta requisitos legais e restrições de recursos;

O Conselho é o responsável pelo alinhamento entre a operação e a missão da instituição, cabendo aos conselheiros o eventual ajuste da missão, em face de oportunidades ou transformações ocorridas no ambiente. O entendimento pleno do que é uma missão e, principalmente, das particularidades e importância desta missão em organizações do terceiro setor, é determinante para o correto cumprimento desta responsabilidade.

  • atribuir um plano anual de funcionamento e definir objetivos de médio e longo prazo;

Através de apontamentos para a construção de um plano e do sistemático acompanhamento deste plano para avaliar seu andamento, o conselho pode ter ciência do direcionamento da organização, assim como estimar seu crescimento e necessários ajustes para planos futuros de 5 ou mais anos.

  • acompanhar o desempenho financeiro e fiscal, através de orçamentos e controles financeiros;

Os conselheiros, em última instância, respondem contábil e fiscalmente pela organização, com seus bens pessoais. Cabe deixar muito presente a necessidade de um acompanhamento minucioso dos investimentos feitos pela organização, de forma a não gerar surpresas negativas ou litígios. A definição clara de políticas vem para responder perguntas sobre responsabilidades e práticas de gerenciamento e registro do uso dos recursos da organização. Questões como “quem assina os cheques” ou “como o valor do fundo fixo é registrado” devem ser respondidas pelos conselheiros.

  • prover recursos adequados para o funcionamento da organização, através da doação e do engajamento na captação;

Todas as metas de captação de recursos e funding da organização devem ser compartilhadas com o conselho, para que este se sinta corresponsável no processo de abertura de novos mantenedores ou apoiadores, assim como usem seus próprios recursos para subsidiar a estratégia por eles mesmos definida e aprovada.

  • selecionar, avaliar e, se necessário, demitir o diretor executivo;

Cabe ao conselho encontrar a pessoa certa que assumirá as atribuições de CEO da organização, empoderá-la frente aos demais envolvidos, avaliá-la e, se necessário, cumprir com os requisitos legais para desliga-la da organização. Para isto, os conselheiros antes de mais nada devem concordar sobre que expectativas este profissional deve contemplar, descrever as principais atribuições do cargo, expor os reais problemas e oportunidades da organização, para não gerar falsas expectativas e definir  métodos e práticas de avaliação deste profissional. Eventualmente, uma empresa de seleção de executivos pode ser utilizada para dar conta desta responsabilidade, com razoável eficácia, mas com um custo para a organização.

  • desenvolver e manter um diálogo com a comunidade, expondo o trabalho da organização.

Os conselheiros devem organizar, através dos seus esforços e de oportunidades abertas pela instituição, diálogos com a sociedade e aparições regulares na mídia, evidenciando os esforços e resultados da organização. Seja através de comunicados formais ou da presença informal nos eventos da organização, o conselho deve promover esta via de mão dupla, também alimentando a organização de informações relevantes percebidas no contato direto com os mais diferentes públicos.

Da mesma forma, cabe levantar três itens que os integrantes do conselho NÃO devem fazer:

1. se engajar na operação diária da organização;

2. contratar colaboradores que não o diretor executivo;

3. tomar decisões operacionais sem consultar a força de trabalho.

APLICAÇÃO

A formação de um conselho deve, portanto, compreender pessoas que tenham habilidades diferentes capazes de percorrer todas as 6 responsabilidades aqui apresentadas. Um conselho geralmente compreende entre 25 a 35 integrantes, sendo que, naturalmente, nem todos dedicarão o mesmo tempo para a instituição. No entanto, dentre aqueles que podem investir e se dispõem a uma participação mais presente, diferentes saberes devem ser colocados em prática para que a coisa funcione.

Para isto, sugere-se que uma tabela seja realizada, marcando que diretores tem mais conhecimento em determinados assuntos e que, quando necessário, podem ser ativados para contribuir:

Conselheiro 1 Conselheiro 2 Conselheiro 3
Jurídico x
Contabilidade x x
Captação de Recursos x
Comunicação x x
Gestão Operacional
Gestão de Pessoas x
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Mobilização Social

CONCEITOS

Não é muito fácil ter muitas pessoas alinhadas as tuas propostas, pensando e agindo conforme o que tu acredita que seja o correto. Parece que nós, pra exercitar a individualidade e nos acreditarmos únicos, precisamos constantemente reforçar ideais tão particulares que acabam sendo incompatíveis com os ideais de outras pessoas da mesma comunidade. No fim, todos nós queremos acertar, mas do nosso jeito.

Justamente por reconhecer as dificuldades que envolvem trabalhar conjuntamente com grande quantidade de pessoas, mas entender a importância da unidade de pensamento para compor estratégias que resolvam problemas casca grossa, o professor Bernardo Toro se debruçou na constituição de uma técnica de Mobilização Social. Neste post, vamos ver os principais pontos desta técnica, que eu considero brilhante.

Antes de entrarmos no assunto propriamente, é bom que tu saiba duas coisas:

Mobilização é convocar voluntários a um propósito, com interpretações e sentidos compartilhados.

Ou seja: mobilizar é um ato de liberdade, que depende da paixão dos envolvidos, para atuarem com precisão, foco e razão, a partir de ferramentas de comunicação.

Apesar de termos subvertido o termo convocar, seu sentido não é de obrigatoriedade, mas sim de compartilhamento da responsabilidade.  O voluntário só se dispõe a atuar sobre o que ama, sobre o que tem paixão. E atuar com propósito, significa atuar focado, de forma precisa e não através de objetivos difusos, pouco claros. Por fim, compartilhar interpretações e sentidos é praticamente uma definição de comunicação, que não seja manipulativa ou persuasiva.

Sociedade contemporânea se caracteriza como urbanizada (porém não totalmente urbana), reconhecida através de elementos situacionais (profissão, hobbies, opção sexual), cuja leitura de cidadania transcende o papel do Estado e aproxima-se ao ideário de viver bem.

A partir desta abordagem, as questões de territorialidade perdem força. A identidade local tende a deixar de ser relevante, quando se compara a outras formas de indexação social. As intervenções extranacionais crescem em frequência e intensidade, compondo consumidores internacionais, com padrões de qualidade de vida internacionais. O referencial comparativo de viver bem está além da comunidade. Isto leva a um problema real na mudança de padrão das reivindicações sociais. Os movimentos sociais tendem a atuar não mais pelo aparelhamento do Estado ou pela oportunidade de construção conjunta.

Na prática, a sociedade não está mais mobilizada por hospitais ou escolas ou mais policiamento. Transcendeu-se este conceito, muito claro até os meados do século passado. Hoje, as reivindicações são mais ligadas a moralidade do Estado (ficha limpa), ao reconhecimento de direitos optativos (casamento homossexual), ao reconhecimento dos limites individuais (aborto), entre outros. Discute-se muito mais os conceitos.

Enfim, se eu seguir com esse papo, este vai ser o post mais imenso da história do blog. Vou direto ao assunto.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL

A cartilha parece simples. Tem uma receita de bolo. Vou abrir cada um dos passos, pra que seja possível discutir problemas mais comuns e formas de resolvê-los.

1. Construção do Imaginário

Este é um problema de paixão. Qual será a imagem da mobilização? Pra onde iremos? Qual é nosso sonho? Como o mundo estará quando alcançarmos o sucesso? A definição do imaginário é semelhante a definição da Visão, nos princípios organizacionais de qualquer empresa. A forma como a paixão se mobiliza não é através da lógica, mas sim através de imagens e representações. Deve-se converter o discurso lógico, duro, matemático, em algo que mova a paixão.

O imaginário está atrelado a um desafio imposto pela sociedade. O desafio já deve estar lá: o imaginário somente o traduz, o concretiza, o evidencia. Não há imaginário construído em cima de um problema que não existe, seja sentido e que haja interesse de solução. Desta forma, o imaginário garante sua legitimidade, contribui para a coletivização (como veremos mais adiante) e tem facilitada sua inserção em meios de massa que, se bem manejados, favorecem a construção de uma iconografia expressiva para os excluídos da comunicação (crack nem pensar).

Importante é entender que fazer o imaginário não é fazer um spot publicitário. Isto é parte do imaginário, talvez para torná-lo inteligível, compreensível, mais aderente, mas ele não se reduz ao spot.

2. Identificação, mobilização e instrumentalização dos reeditores

Reeditores são pessoas com público próprio. Amplia teu conceito e abrange qualquer pessoa capaz de se apropriar de informações, alterá-la conforme suas percepções, filtrar o que considera certo e errado e, principalmente, que quando fala o produto destas alterações, é ouvida. Costureiras, cabelereiros, professores, médicos, advogados… qualquer pessoa que tenha voz na comunidade, não só institucionalizada mas reconhecida. O reeditor não é um papagaio. Ele deve ser capaz de adequar a informação às referencias da comunidade na qual está inserido. Isto particulariza a comunicação, dá respaldo, segurança e garante que os mesmos signos serão usados entre aqueles que se conhecem. Mesmo que a mensagem esteja codificada pelos olhos do produtor social, do emissor, o reeditor faz o trabalho de “traduzi-la” para a linguagem da comunidade.

Via de regra, é fácil identificar um reeditor quando alguém na comunidade atende os três quesitos:

1) trata-se de uma pessoa que tem um público próprio, cativo, mesmo que não exclusivo.

2) é uma pessoa que pode negar, transmitir, introduzir e criar sentimentos

3) é capaz de modificar as formas de pensar, sentir e atuar de seu entourage

O reeditor estará disposto a participar de uma mobilização quando estiver sensibilizado pelo imaginário e quando compreender seu papel, identificar o que possa fazer pra viabilizar a mudança. O imaginário, portanto, deve despertar a paixão no reeditor. Dessa forma, a mobilização vai ocorrer quando os reeditores, em seu trabalho quotidiano, estão tomando decisões, desenvolvendo discursos e atuando em função de um imaginário. Neste momento há mobilização.

3. Coletivização

Parte importante no processo de mobilização social é a identificação do reeditor com os demais reeditores que atuam sob o mesmo imaginário.  Já vimos que o conceito de sociedade transcende a territorialidade e está atrelado a questões situacionais, de reconhecimento próprio. Desta forma, os diversos reeditores devem se reconhecer como parte do mesmo grupo social, através do compartilhamento deste imaginário. Um exemplo claro são os Jesuítas, que reconhecem uns aos outros, independente de onde estejam atuando, muito por dividirem um mesmo imaginário.

A construção da coletividade através da interação entre os reeditores com o mesmo imaginário consolida o projeto de mobilização social e estrutura a rede de atuação destes atores. A partir desta rede de reeditores, os processos de instrumentalização, ou seja, a forma com que a informação será repassada aos reeditores e dos reeditores para as comunidades torna-se em grande parte autônoma, com gestão conjugada entre os reeditores e o produtor social.

Neste post não cabe a discussão, mas projetos de mobilização social que atuam sobre problemas estruturais, geralmente encontrarão reeditores mobilizados por imaginários distintos, mesmo que o objetivo das ações seja o mesmo. Neste ponto, um acordo entre os diversos produtores sociais promotores dos distintos imaginários é a melhor solução. Sempre percebendo as particularidades de um acordo, que difere de uma negociação ou um convênio.

APLICAÇÃO

O profissional que se propõe a articular as diferentes instâncias necessárias para concretizar a mobilização social, conceitualmente, está atrelado ao produtor social, ou seja, aquela instituição que tem a idéia, organiza as equipes técnicas, organiza as finanças e seleciona os atores para desenvolver o imaginário e sensibilizar os reeditores. Este profissional deve apresentar as seguintes características (dentre muitas outras),

1. Saber como construir um imaginário.

2. Entender como identificar e instrumentalizar os reeditores.

3.  Saber de que forma o reeditor pode ter uma participação efetiva no imaginário.

4. Compreender como gerar processos de coletivização dentro de seus reeeditores.

Ao produtor social cabe entender muito bem o campo de atuação dos reeditores, suas particularidades e conflitos. A produção de todos os recursos de comunicação se dará a partir da identificação do perfil majoritário destes reeditores.

Ano Internacional para Aproximação das Culturas

CONCEITOS

A definição de 2010 como o ano internacional para a aproximação das culturas deu-se em documento formalizado através da resolução 63/22 da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 16 de dezembro de 2008. O reconhecimento da UNESCO como lider deste processo deu-se pelo sucesso a missões já delegadas ao Organismo Internacional, particularmente o Ano Internacional da Cultura da Paz em 2000 e a Agenda Global pelo Dialogo entre as Civilizações, em 2001.

Conforme plano de ação definido para a celebração de 2010 como o Ano Internacional para Aproximação das Culturas, quatro estratégias preponderantes serão executadas. A seguir, veremos brevemente cada uma dessas estratégias.

ANO INTERNACIONAL PARA APROXIMAÇÃO DAS CULTURAS

O plano de ação que organiza o ano internacional é composto prioritariamente por quatro estratégias e sete modalidades de implementação. A UNESCO é assim, toda cheia de categorias em seus planos de ação, o que é excelente pra quem precisa customizar qualquer projeto ou proposta ao que foi definido. Fica claro demais. Vou tentar transpor esses principais itens pra cá.

As estratégias:

Estratégia: Promoção do conhecimento sobre a diversidade.

Definição: Com base na consistente necessidade de se conhecer o outro para que o diálogo possa ser estabelecido, será estimulada a percepção da história das civilizações, assim como será dado visbilidade para qualquer processo que tenha estimulado diálogos interculturais, com ênfase nas ações desempenhadas pela juventude. Também é foco desta estratégia o estímulo ao intercâmbio de idiomas, como porta de entrada para informações, artes e influencias criativas. O objetivo principal destes diálogos é criar ambiente para que a religião seja discutida por líderes de diferentes regiões, com vistas a aumentar o conhecimento mútuo sobre espiritualidade e temas implícitos.

Estratégia: Elaboração de um conjunto de valores comuns.

Definição: Estimular os diálogos interculturais é um processo que demanda não somente a promoção da diversidade cultural, mas também o reconhecimento de valores compartilhados, como a liberdade, igualdade, solidariedade, tolerância, respeito pela natureza e responsabilidade conjugada. Para isso, é necessário enfatizar o papel da mídia, dos eventos, festivais culturais, esportivos e religiosos, abordando fortemente os espaços públicos, como modo de disseminar estes valores, objetiva e subjetivamente.

Estratégia: Consolidação de uma educação de qualidade e construção das competências interculturais.

Definição: A educação exerce papel fundamental no respeito aos direitos humanos, como preconizado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e deve conferir a quem aprende não somente os conhecimentos e valores para entender ao próximo, mas também competências específicas para se ter abertura e apreciar a diversidade cultural. Será estimulada a revisão de livros didáticos, material para aprendizado e currículos escolares, levando em conta diferentes processos de aprendizado. Da mesma forma, deve se dar muita atenção ao papel do professor em ensinar conteúdos definidos que induzam e preparem os jovens ao diálogo e os ensine a pensar criticamente.

Estratégia: Incentivo ao diálogo sobre o desenvolvimento sustentável.

Definição: Novos espaços de diálogo também são oferecidos diariamente pelas ciências. Isto inclue a ciencia moderna, assim como as ciencias baseadas em tradições, explorando formas de reconhecer contribuições autóctones ao desenvolvimento sustentável e um modelo de desenvolvimento ambiental e agrícola alternativos. Há uma necessidade de se buscar e multiplicar novas plataformas de trocas e práticas inovadoras que nos conduzam a um pluralismo cultural em niveis locais, nacionais e regionais.

As modalidades de implementação:

1. mobilizar não somente os Estados, mas também a sociedade civil, sensibilizando queles que não se sentem responsáveis pelo problema;

2. adotar uma abordagem hosítica, que incorpore as demais agencias do sistema das Nações Unidas, assim como organizações intergovernamentais e não governamentais;

3. tomar vantagem nas incalculáveis realizaçòes da UNESCO nas áreas de diálogos interculturais, particularmente com a juventude e nas questões de gênero;

4.  promover exemplos positivos e projetos originais, particularmente sobre eventos políticos, culturais e esportivos em níveis regionais, nacionais e internacionais;

5. também infatizar nas Nações Unidas/dias internacionais que tenham relação com o tópico, especialmente naqueles que a unesco for a agencia líder;

6. revitalizar acordos de cooperação entre a UNESCO e organismos governamentais e não governamentais, numa abordagem multidisciplinar e inter agencia;

7. levantar fundos extra-orçamento para financiar projetos relevantes.

APLICAÇÃO

A abordagem do ano internacional em projetos de cunho social ou no desenvolvimento de políticas públicas evidencia um alinhamento da estratégia priorizada com o cenário mundial. Com base nisso, via de regra, a captação de recursos por linhas governamentais e inclusive nos organismos internacionais pode ser facilitada.

Para a o organismo internacional, a importância da ação focada para a concretização da estratégia é claramente demonstrada por Kaplan e Norton, em seu livro “A Estratégia em Ação”. A necessidade de se estabelecer estratégias de longo prazo, com abordagens globais, reforça a importância da ação local, focada, levando em conta elementos que não podem ser abordados pela alta gestão. Tendo cunhado o termo “pensar global para agir local” (que apesar de ser um chavão, eu sempre concordei), esta referência dá subsídios para justificar a atuação de projetos de cooperação junto a estratégia definida pela UNESCO, levando em conta suas limitações de regionalidade e escopo.

Violência vista como problema de saúde pública

CONCEITOS

Este post aborda práticas de saúde pública para resolver questões relacionadas à violência. Violência difere de criminalidade. Indo pra conceituação mais teórica, violência segundo Maria Cecilia Minayo, é o evento representado por ações realizadas por indivíduos, grupos, classes ou nações que ocasionam danos físicos ou morais a si próprios ou a outros.  Ou seja, a questão toda passa pela intencionalidade do dano. É este o fim, o objetivo da ação.

Saúde pública, por sua vez, aborda o conjunto de práticas ordenadas pelo Estado, com foco em prover melhores condições para o completo bem estar. Essa idéia de completo bem estar é da OMS, então quem sou eu pra discutir? OMS disse, tá dito. Encerrou o assunto. Quer discutir? mandachuva@oms.com.br Fica a vontade. A saúde pública aborda políticas de saneamento básico, provimento de ações profiláticas, medicamentos, exames e toda estrutura do SUS que a gente tá acostumado a ouvir falar. E graças a Deus, só ouvir falar.

VIOLÊNCIA VISTA COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

Ok, concordamos aqui que a violência pode ser vista como um problema de vários donos. O desemprego que neguinho nao consegue por dinheiro pra dentro de casa, a educação que não da base cultural, a igreja como BASTIÃO dos valores morais, a academia brasileira de letras que permite palavras de baixo calão na literatura… enfim, nomear os culpados é a parte fácil. O dificil é saber quais botões devem ser atarrachados para que a violência diminua.

Quando se olha pra saúde pública, o elo tende a ficar mais tênue, numa primeira abordagem. Ok, vou dar remédio pro cara e ele vai parar de bater na esposa? Olha, se o foco for em saude mental, a correlação é bem evidente, mas esse post aborda uma questão um pouco mais subjetiva no uso de políticas públicas pra combate da violência.

Cabe a saúde pública avaliar as causas da violência por um fator prático: o número de mortes e de atendimentos causados por atos de violência gera um GRANDE débito aos cofres públicos. Causas de mortalidade por fatores externos (que nao sejam doenças) cresceram 50% do fim dos anos 70 pra cá. O fato dessas causas externas atingirem mais aos homens gera, inclusive, veja só você, um desequilíbrio demográfico entre os genêros, reduzindo em 3 anos a expectativa do homem em relação a mulher.

É, meu querido! O furo é bem embaixo!

Há que se fazer um raciocío epidemiológico pra entender a estrutura da violência, setorizando em causas externas chaves. Por exemplo, pra ficar mais fácil: o uso de drogas e álcool, relacionados em grande instância com violência doméstica e acidentes de carro, tende a se mostrar mais evidente se analisarmos certas variáveis. Olhar pra região e idade nos dá uma curvas de crescimento do consumo de alcool e drogas muito mais acentuada que a evolução da gripe espanhola, em valores absolutos.

APLICAÇÃO

Cabe a saúde pública, portanto, pensar e executar tarefas que atinjam não somente as consequências da violência (enfaixar o braço da mulher que apanhou do marido), mas atuar em questões causadoras da mesma. A atuação no campo da prevenção à violência traz o conhecimento já adquirido da prevenção de demais epidemias. As práticas, quando adotadas de acordo com o mesmo procedimento apresenta resultados semelhantes (campanha contra a dengue parecida com campanha contra agressividade em idade escolar? YEAH!).

Gestão contemporânea e jogos de interpretação

CONCEITOS

Os jogos de interpretação ou roleplaying games (RPG) vem sendo utilizado em várias áreas da administração contemporânea. A gestão do conhecimento entende o storytelling como uma ferramenta pra manter nas organizações o conhecimento dos colaboradores. A experiencia de simulação em grupo tem sido usada cada vez mais pra resolver conflitos em recursos humanos. Dentro da exploração de cenários, as histórias conjuntas tem trazido elementos vivenciais e qualitativos sobre como os líderes da organização devem se portar frente as tomadas de decisão que envolvam risco e conflitos. Os alternate reality games são utilizados para permitir uma interação concreta entre o cliente e a marca/cultura organizacional.

Este post apresentará algumas características dos jogos de interpretação e em sua aplicação, um roteiro-base para uma “sessão” de RPG.

RPG

O Rpg é um jogo que surgiu oficialmente em 1974, quando do lançamento do jogo Dungeons & Dragons, pelo recém falecido Gary Gigax e seu amigo Dave Arneson. Na época, ele era jogado como uma evolução dos jogos de estratégia. Ao invés de somente se jogar os movimentos de tropas de ataque e defesa, o cenário da guerra e a reação dos exércitos foi mais humanizada.

Estruturalmente, o RPG deve ser jogado em duas instâncias. A primeira é restrita a imaginaçao, na qual histórias são construidas e narradas para jogadores que respondem por interpretar personagens que vivenciam as experiências e colocam seus elementos no jogo. O “mestre do jogo” define qual será o destino do mundo e os jogadores intervem neste destino maior com um certo livre arbítrio. No fim das contas tudo acaba acontecendo como o mestre prevê. Mais ou menos como são as coisas de verdade.

Outra instância é vinculada às regras, que determinam estatísticamente se o que teu personagem disse que queria fazer, ou que o mestre do jogo disse que iria acontecer, pode realmente ocorrer. Geralmente os RPGS mais voltados para entretenimento usam aqueles dadinhos coloridos e com vários lados, (diferentes dos dados de 6 lados que a gente usa pra jogar general) no seu sistema estatístico. RPGS mais elaborados podem utilizar simuladores de indicadores organizacionais ou simplesmente abolir esta instancia e conduzir todo o jogo somente na imaginação.

Há ainda quem diga que o rpg ocorra em outra instância, a social, na qual as pessoas ao redor da mesa interagem FORA DO JOGO, sobre coisas DO JOGO e esta interação influencia os resultados da aventura, vinculado o jogador ao personagem. Eu prefiro não levar esta em conta por quebrar o principal objetivo do RPG: interpretação de papéis.

APLICAÇÃO

A estrutura de uma sessão de RPG deve ser conduzida como a criação de uma história, com alguns cuidados que transcendem a estrutura de introdução, desenvolvimento bipartite e conclusão.

1. Todas as pessoas que interagem com os personagens devem ter sua personalidade bem definida, de modo que não pareça que são todos mesmos robôs saidos da mesma fábrica.

2. O ambiente deve favorecer a condução da sessão. Pouco som ou música ambiente, luz adequada, nenhuma interrupção podem contribuir tanto para o sucesso da aventura quanto a própria história narrada em si.

3. Utilize-se de “hand outs”. Quando possível, traga veracidade para a aventura. Se por exemplo a sessão é sobre espionagem industrial, traga documentos de aparência oficial, depoimentos feitos por pessoas reais, fotos, tudo que possa passar verossimilhança para a aventura.

4. Esteja preparado. Na medida em que os jogadores irão tentar pender o destino para lhes favorecer, esteja preparado para ter que lidar com idéias altamente controversas a linha de desenvolvimento que você está pensando. Se em um determinado momento da sessão você conta que os jogadores decidam viajar de trêm, pois quer introduzir um elemento na história que depende disso, esteja preparado se algum sugerir: VAMOS VIAJAR DE BALÃO.

5. Histórias de ação e aventura são mais interessantes que dramas ou documentários. Inclua SEMPRE ação na sessão. Uma briga, discussão acirrada, roubo, acidente de carro… enfim, coisas do dia a dia na qual os jogadores terão que lidar com o stress de seus personagens.

As 5 Forças de Michael Porter

CONCEITOS

Pra entender as Cinco forças de Porter, é importante saber o que é Indústria. Entao: Indústria é um grupo de empresas fabricantes de produtos que são substitutos bastante próximos. Na medida em que são empresas que fabricam a mesma, ou quase a mesma coisa, a indústria está submetida a mais ou menos as mesmas influências. Porter diz que são 5, somente 5, não mais que 5 influências, que ele chama de força, na medida em que elas exercem pressão sobre a indústria.

Michael Porter é o maior estrategista da história dos estrategistas e quem duvidar, é só perguntar pro google que ele confirma.

AS CINCO FORÇAS DE PORTER

Roubei esta imagem, na cara dura, da wikipédia. Se me processarem, azar:

As 5 Forças de Porter menor menor

Pra entender melhor como as forças se comportam, segue uma explicação de cada uma delas:

Rivalidade entre concorrentes – É a agressividade com a qual os concorrentes da indústria lidam com o cliente. A rivalidade interfere na quantidade de investimento em publicidade, taxa de crescimento da indústria, número de concorrentes, entre outros fatores.

Poder de barganha dos clientes – O quanto meus clientes exigem qualidade (cerficações, garantias…)? Há possibilidade de negociar preços (compra em alta quantidade…)? Há critérios legais para se comprar atuar nesta indústria (licitações, sindicatos)?

Poder de barganha dos fornecedores – O quanto a indústria depende de fornecedores específicos? Há como diferenciar os insumos? Os fatores de produção afetam muito o preço de venda do produto?

Ameaça de novos entrantes – Quão alta é a barreira para um empreendedor entrar nesta indústria? Há questões ambientais? Licenças concedidas pelo poder público? O capital para iniciar o negócio é muito alto? Novos entrantes podem dificultar a entrada do empreendedor nesta indústria, e neste ponto pode ser visto como negativo. Já para aqueles que já fazem parte da indústria, a ameaça de novos entrantes é positiva, na medida em que diminui a concorrência.

Ameaça de produtos substitutos – Há produtos que podem ser descartados do mercado por inovações. Os exemplos podem ser os mais diversos e as vezes desafiam a criatividade do planejador. Quem poderia prever a queda das viagens a negócios com a disseminação da banda larga? A video conferência ocasionou uma redução na lucratividade dos hotéis empresariais. Outro fator a se considerar é quanto a facilidade do produto se tornar obsoleto, como o clássico caso da Olivetti, que deixou de existir por se manter fazendo máquinas de escrever.

APLICAÇÃO

As cinco forças direcionam pro que deve ser analisado de toda a indústria. Saber o comportamento de cada uma serve pra que se consiga montar uma matriz SWOT baseado na realidade. O difícil, na verdade, é conseguir definir com precisão a indústria na qual se está inserido. Pra isto, tem este post aqui que pode ser útil.