DEFINIÇÃO
Todo projeto social nasce da tentativa de se mudar algo que nos incomoda. Há pessoas que pensam que ao criarem uma ONG irão ganhar dinheiro, fazer fortuna e abrir o capital depois de 5 anos. Convenhamos, isso não vai dar certo. Abrir uma ong é muito mais que isso. Uma ONG é um meio para transformarmos uma realidade que nos perturba.
Transformar a realidade é processo longo, demorado, que é composto de várias fases e requer envolvimento de diversos recursos. Logo, o que demandamos aqui é um projeto! E projeto pra terceiro setor tem algumas peculiaridades.
Projeto é um plano de execução de alguma coisa. Pode ser dividido de inúmeras formas, de acordo com a metodologia aplicada. Aqui falaremos em estratégico – construções no nível das idéias, tático – procedimentos que determinam o que fazer, operacional – minúcias da execução de um trabalho, definindo como fazer.
Terceiro setor é composto por iniciativas privadas de utilidade pública, que tenham início na sociedade civil.
PROJETO ESTRATÉGICO SOCIAL
Um projeto social servirá não só para descrever os passos necessários para se atingir um objetivo, mas também como ferramenta de mobilização social e captação de recursos. Esta peculiaridade do projeto social geralmente faz com que os textos do material tenham um forte caráter ideológico e apelativo. Há que se ter cuidado para se ser objetivo e acertivo nas partes táticas e operacionais do projeto. Um projeto social geralmente é composto por um nome, justificativa, objetivos, metodologia, avaliação e possibilidades de participação.
Nome do projeto: deve ser empolgante, passando a mensagem do que consiste o projeto. O nome do projeto deve transmitir uma mensagem que mobilize os participantes e conquiste apoiadores.
Justificativa:Por que fazer? Sem xalalá, por que isso tem que ser feito? Se você não conseguir descrever essa parte, esqueça. O projeto não tem concretude e pode correr o risco de ser inútil. É daqui que você deve tirar os argumentos para convencer o engajamento da sociedade ou mobilizar a iniciativa privada a prover recursos.
Uma justificativa bem formulada deve estar baseada em um diagnóstico e há várias formas de se diagnosticar uma realidade social: entrevistas, levantamento histórico, recortes de jornal e estatísticas são um bom começo.
Objetivos: Quais resultados o grupo quer alcançar? Aqui cabe ser claro e direto para se expressar o que se quer, sem ideologia ou publicidade. Um exemplo de objetivo pode ser: incentivar a reciclatem de 50% do lixo do bairro onde fica a universidade tal por meio de campanhas educativas. É a hora de ir direto ao ponto, resumir o que se quer.
Facilita estabelecer um objetivo principal para o projeto e alguns objetivos periféricos, que venham a atender necessidades complementares. Eu demorei muito pra entender que um objetivo não é um degrau, mas toda uma escada para um novo andar
Metodologia: explique em breves palavras como se conquistará o que se espera. Explique a necessidade de recursos, onde eles serão dispostos, quanto tempo levará para se alcançar os resultados, como será a administração do projeto. Não é a hora de se entrar em dados minuciosos, explicando detalhes. Se, por exemplo, o projeto consiste em levantar computadores usados para outras ONGS, não é necessário descrever qual o nome do antivírus que será passado nas máquinas antes delas serem entregues às instituições, mas sim que se dará assistência técnica as máquinas antes do repasse.
Aqui estamos falando do projeto estratégico, o que fica no no nível das idéias. Após sua conclusão, passaremos para o nível tático e operacional, no qual abordaremos o nome do antivirus.
Avaliação: defina como será feito o acompanhamento e avaliação do projeto. Quais ferramentas serão usadas. Tente usar números aqui, e se for possível, relacione-os com outras informações da instituição. Por exemplo, se o projeto prevê levantamento de fundos com a iniciativa privada, exponha quantas visitas foram feitas às empresas e relacione este número total com quantas deram algum recurso.
Possibilidades de participação: aqui se pode dividir em três tipos:
- voluntários – pessoas da comunidade que geralmente se beneficiarão direta ou indiretamente com o sucesso do projeto. Os voluntários são motivados por causas altruistas, etéreas. Para a maioria dos projetos, voluntários são fundamentais. Geralmente, representam uma força de trabalho bem disposta, comprometida, mas pouco qualificada.
- funcionários – pessoas contratadas para coordenar a execução do projeto. Geralmente se contratam funcionários para dar conta dos caráters técnicos que os voluntários não conhecem para executar.
- apoiadores – pessoas físicas ou jurídicas que contribuem para o projeto, em todos os tipos de recursos que existem. Algumas empresas dedicam um meio expediente de todos seus funcionários por mês para participarem de iniciativas sociais. Outras provém recursos financeiros. Muitas doam materiais. Aqui cabe também definir algum tipo de contrapartida para os apoiadores, com o objetivo de estimular doações nas principais carências da instituição.
APLICAÇÃO
Após a definição do projeto no campo das idéias, é hora de começar a “vendê-lo” para conquistar a participações fundamentais para o sucesso. Em paralelo, não perca de vista as definições táticas e operacionais. Construa planos de ação para cada tarefa que servirá para conquistar um objetivo e tenha certeza que você ou alguém que você tenha demandado para isto consiga avaliar se as tarefas estão sendo cumpridas.